05/08/2010

A maldade humana

Já deveria ter escrito aqui faz muito tempo, mas o último mês foi intenso e ao mesmo tempo revoltante. Quem acompanha esse blogger sabe já do amor que nutrimos por nossas filhas e como essa espera pela destituição do poder familiar (que ainda não sabemos se e quando irá acontecer) é angustiante. Saberá também, no início dos posts, que uma pessoa chamada Andreia era para nós um anjo iluminado, que nos incentivava a mudar o perfil para um grupo maior de irmãos e nos "apresentou" as nossas meninas. Falo dela pela primeira vez nesse blogger no post "Como tudo aconteceu". Contudo, como um "anjo caído", fomos traídos pelo mal que essa pessoa nutre em seu coração, algo que eu diria até ser criminoso. Decidi assim postar no blogger o que passamos durante esse mês de Julho, numa tentativa de que essa história não se perca e que até um dia nossas filhas saibam o quanto essa espera está sendo dolorosa, mas alicerçada na fé em um Deus muito maior, que tudo é capaz e que logo estaremos com nossa família completa.

Bem, Andreia é do Rio de Janeiro e adotou 3 crianças aqui em Fortaleza. Desde antes sua chegada, já nos comunicávamos quase que diariamente através de emails, skype e contatos telefônicos, fortalecendo assim uma relação de amizade que era apoiada no sonho da maternidade/paternidade através da adoção. Quando esta, junto com o seu esposo, veio a Fortaleza para concretizar sua adoção, nos sentimos como se nós tivéssemos ganho os nossos filhos, diante de tanta alegria. Via ali a felicidade estampada, uma família que nascia e estava muito feliz por participar desse momento. Assim acompanhamos Andreia e seu esposo desde a chegada na cidade, recepcionando-os no Aeroporto e inclusive registrando o encontro destes com suas crianças. Noutro momento voltamos a nos encontrar, ainda em Fortaleza, na Casa de Acolhimento onde estão nossas crianças, num jantar beneficente. Passamos a noite juntas, conversando sobre as crianças, sua adoção e as expectativas dessa nova família.

Quando todos voltaram ao Rio de Janeiro, continuei a manter contato com Andreia, quase que diariamente, e muito me alegrava quando me contava da excelente adaptação das crianças, da sua felicidade e realização no projeto de adoção e do apoio que sempre tínhamos no nosso caso, de espera pela destituição das meninas. Andreia sempre dizia que estávamos em suas orações e eu me sentia uma felizarda por ter uma "amiga" tão presente em minha vida. Assim, no dia 02 de Julho fui surpreendida por uma mensagem via skype de Andreia dizendo ter conseguido o contato da juíza responsável pelo processo das crianças e perguntando se podia disponibilizar meu email para a mesma. A notícia foi vibrada por mim, meu esposo e toda minha família, pois sabíamos que ali poderia ser a oportunidade de ao menos falar para essa magistrada da nossa real intenção e amor pelas crianças. Na mesma hora liguei pra Andreia, que contou-me que havia conversado com a tal juíza e que ela demonstrou ser muito favorável em nos ajudar no processo.

Num primeiro momento não vi nada de estranho. Você deseja tanto que a coisa aconteça, que enfim você poderá ter a oportunidade de estar com suas filhas em casa, que a grande verdade é: VOCÊ CEGA! Nós cegamos tanto diante da possibilidade de ter a juíza do caso trocando emails conosco que obviamente não enxergamos o óbvio - que estávamos sendo ali vítimas se não de um golpe, de uma maldade sem tamanho, tramada por um espírito ruim.

Durante exatos 30 dias (de 02/07 a 02/08) trocamos emails e mensagens instantâneas via skype com uma pessoa que se identifica como a juíza do caso. Logo recebemos a informação de que nossas pequenas estavam destituídas e isso foi comemorado intensamente. A tal "juíza" nos incentiva a montar o quarto das crianças, pois logo estaríamos com elas em casa. Assim o fizemos. O dinheiro que vínhamos guardando para a adoção, tratamos de comprar roupas, brinquedos, fraldas, ver escola e muito mais. Com o passar dos dias, comecei a estranhar o conteúdo dos emaisl. Primeiro devido a linguagem trazida neles, com inúmeros erros ortográficos e informações desencontradas. E eu comecei então a surtar, pois durante todo o período que trocamos essas mensagens, a "juíza" me pedia sigilo para não comprometer-lhe e eu não podia acreditar que verdadeiramente uma magistrada pudesse escrever daquela forma. Também estranhei que a mesma mudasse os prazos quase que diariamente da entrega das crianças pelo o abrigo. Todo dia acontecia algo que impedia formalizar a guarda e eu não entendi como não se conhecia esses prazos antecipadamente. Desconfiada, passei então a cobrar da "juíza" documentos que comprovassem sua história, ainda que de forma sutil. Não podia acreditar estar sendo alvo de uma "brincadeira" sem sentido, já que apenas Andreia sabia das informações e a considerava já uma amiga, que sofria junto conosco.

Eis que um dia recebo da "juiza", ainda via skype, um texto afirmando ser a cópia da DPF lançada no Diário Oficial. Quase caio pra trás quando me deparo com o seguinte texto: "1ª Vara da Infância, Juventude e Idoso", sendo que no Ceará não existe tal Vara. Sabia com muita convicção dessa informação pois já havia trabalhado longos anos de minha vida em parceria com a entidade e desconhecia qualquer junção com Vara do Idoso. Logo em seguida, conversando com Andreia e esta me falando do seu processo no Rio de Janeiro, recebo um link para que eu conheça o trabalho da Vara do RJ e observo que nesta cidade sim a Vara da Infância é ligada a do Idoso. Na mesma hora entendi que estava sendo alvo de uma situação no mínimo constrangedora e fui buscar informações mais concretas. Assim, liguei pra Andreia, falei das minhas desconfianças, e esta me garantiu por telefone que eu estava equivocada, pois a guarda de seus filhos, dada pela Vara de Fortaleza, falava em Idoso sim.

Desconfiada, liguei para o setor de Cadastro da Vara da Infância de Fortaleza, quando minha suspeita foi esclarecida: nunca houve vara do Idoso junto com Infância no Ceará. Solicitei a equipe, mesmo entendendo que que não podia ter acesso ao processo das crianças, que verificasse pra mim se havia sido feita alguma movimentação no processo nos últimos trinta dias, o que me foi dito que não. Nesse momento desabei, pois não era para mim possível que uma pessoa fosse tão má ao ponto de brincar com sentimentos, com o amor que estamos plantando e cuidando em nossos corações. De imediato fomos fazer uma denúncia no MP/Ce e decidimos que não há mais hora de esperar. Assim, fomos logo tratando de reunir os documentos necessários para, enfim, pedir a guarda das crianças, o que acontecerá na próxima segunda-feira, dia 09.

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