04/12/2010
Angústia que não acaba
Estivemos no início da semana, 30/11, entregando na Vara uma petição para que possamos passar as festas de fim de ano com as meninas, de 23/12 a 06/01. Estamos torcendo para que seja deferido nosso pedido. Uma oportunidade de promover dias melhores para as meninas, dias alegres, dias de paz.
Pensamos em tentar pessoalmente conversar com a juíza responsável pelo caso. Vamos que vamos, na luta!
23/11/2010
Visita a promotora e a mãe biológica das meninas
Bem, hoje a nova promotora se dispôs a me receber. Conversamos e ela ficou abismada pq o processo ficou mais de 75 dias com a antiga promotora. Saí de sua sala com a garantia de que hoje mesmo ela iria encaminhar de volta pra Vara e solicitando que a AIJ fosse marcada com urgência. Informou que era pra eu acompanhar.
A questão foi o que aconteceu antes. Chegamos, meu marido e eu, na secretaria da Vara e tinha um senhora solicitando informações. Comecei a brincar com o filho dela, um bebe de uns 5-6 meses. Muito simpático, por sinal. Gente, quando a mulher se vira, vi que era a mãe biológica das meninas. Quase caio pra trás. No final soube que ela estava querendo falar com a juíza para visitar as crianças - já que tem uma ordem judicial proibindo-a.
Fui falar com a equipe técnica sobre o ocorrido, que mandou-me ter calma. São muitos os agravantes. Então vamos agora torcer para que o processo ande e quem sabe a destituição ocorra o quanto antes, ciente de que os pais podem sim recorrerem.
09/11/2010
Ensinando a Viver
SINOPSE: Quando era criança, o escritor David Gordon (John Cusack) sempre se sentiu excluído. O menino se achava diferente e cresceu sonhando com o dia em que os ETs viriam buscá-lo e levá-lo para casa, no espaço sideral. Os aliens nunca vieram. Mas sua imaginação o transformou em um escritor de sucesso. Mesmo hoje em dia, no entanto, David continua se sentindo um solitário. Desde a trágica morte de sua noiva há dois anos, ele nunca mais experimentou qualquer traço de vida afetiva. Todavia, David sempre quis ser um pai. E ele finalmente resolve tentar - e acaba adotando o brilhante e problemático Dennis. Assim como David, Dennis vive trancafiado em seu próprio mundo de fantasia. Quando era criança, David queria ser um alien. No caso de Dennis, ele acredita de verdade que é um marciano em missão de exploração na Terra. E talvez ele seja de verdade... Um filme divertido e emocionante sobre o poder de redenção do amor e sobre o verdadeiro significado da palavra "família".
Não seja como eu quero, mas como tu queres.
A boa notícia é que a partir de 16/11 irá trocar de promotora e possivelmente teremos uma resposta do processo OU poderemos ao menos conversar com a nova promotora e ver se é possível ter alguma luz.
Os dias têm sido confusos, às vezes dá vontade desistir. Repito: NUNCA por falta de amor a elas, NUNCA!! Mas pelo desgastante e longo processo que é. Contudo, percebo que a média de 12 a 18 meses de espera é normal, diante do relatado por outros casais. Assim, compreendo que até março, quando as meninas fazem 2 anos institucionalizadas e devem por lei ter uma resposta de sua situação, até lá deveremos ter boas noticias.
Filhas, a mamãe e o papai estão preparando nossa casinha pra chegada de vcs. As amamos muito!
11/10/2010
Provações?
Hoje fazem 07 meses que conhecemos nossas filhas, sendo que há 05 meses não as vemos. Uma trajetória difícil. Quarta (depois de amanhã) nosso advogado irá contactar a juíza e a promotora do caso (que já ouvi dizer que não é uma pessoa fácil de lidar). Inclusive soubemos que a referida promotora tem pensado na possibilidade destituir e vincular o bebê irmão das meninas ao processo delas. Isso seria o fim, pois não temos condições e interesse de assumir quatro crianças. Estamos com muito medo, um tanto derrotados, mas ainda confiantes.
A bem verdade é que nossa adoção tem inclusive abalado minha fé. Mas tenho entendi que minha oração, meu louvor deve pedir como em Mateus (26:39), que diz "não seja como eu quero, mas como tu queres". Tenho que entender que o que acontecer é vontade de Deus e que eu tenho pedido isso, não o meu querer, mas o querer dEle para o melhor para elas.
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Aí hoje eu encontrei esse tópico da Izabel, onde ela fala da sua angústia da espera de 13 meses (Ufa!!!). Salvei aqui no blog para eu nunca deixar de consultar e lembrar que a adoção é sim uma espera angustiante, dolorosa, mas quando dá certo, só traz as alegrias e esse sofrimento é deixado de lado. É o que nos conforta!
Alegra-te na esperança, seja paciente nas tribulações e perserverai nas orações!
07/10/2010
Algumas novidades
Bem, contratamos um advogado (como o José diz sempre, Aleluia!). Hoje ele ligou e informou que a promotora tá com o processo das meninas desde 13/09. Soubemos por uma das técnicas do Fórum que ela está avaliando se manda destituir o bebê (deve ta com 4-5 meses) e se vincula ele ao processo delas (tenho muito medo disso, pois não tenho a menor condição de adotar 04 crianças).
Nosso advogado foi lá hoje, mas a juíza está doente e só volta na próxima quarta. O jeito é esperar pra saber a decisão que a justiça irá tomar. No momento somos os únicos habilitados para esse perfil (até 6 anos aceitando 3 crianças).
12/09/2010
Obrigada Senhor
Hoje é dia 12 de Setembro. Ouvindo Diante do Trono, com a Ana Paula Valadão, me deparei com o trecho copiado abaixo. Inspiração para o meu dia, para todos os dias.
Ela diz em um momento que existe uma palavra que é citada 366 vezes na Bíblica - 01 para cada dia do ano e mais uma pros ano bissextos. A palavra é: NÃO TEMAS. Começo a semana inspirada pela palavra da Pastora Ana Paula para continuar lutando pelas minhas filhas - E EU NÃO TEMEREI!!
Para quem quiser escutar a música, clica aqui.
Ele é o meu Deus, o Senhor é minha rocha, meu libertador. O meu Deus o meu escudo, a força da minha salvação.
"Ó meu Deus, Tu és o nosso socorro, bem presente na hora da angústia
Torre forte é o nome do Senhor
Os justos correm pra ela e eles serão salvos
Ó Deus, coloca em nosso lábios um cântico de louvor
Um cântico de louvor em meio a guerra para vergonha do nosso adversário
Para glória do nome do Senhor porque não estamos sós, mas Tu és o nosso General
Não estamos em um parque de diversões
Estamos em um campo de batalha a cada dia
Mas podemos seguir adiante sem temer
Porque Tu és por nós. Quem será contra nós?
Em Ti nós somos mais que vencedores
Obrigada Senhor"
09/09/2010
A decisão
E ele foi:
FAVORÁVEL!!!!!!!
Muito felizes com a notícia e agora começamos uma nova etapa: a de que Ministério Público e Juíza tenham o mesmo entendimento e ao final a setença seja pela destituição.
Estamos em oração também para que a família não recorra. São 15 dias corridos após a intimação. Quando tiver notícias, deixo aqui.
08/09/2010
Minha prece ao Senhor
O meu post de hoje é, acima de tudo, uma oração de agradecimento ao Senhor por tudo que Ele tem feito em nossas vidas. Mais que isso! É um testemunho do poder e do amor de Deus. Tenho sempre refletido que tudo o que tem acontecido tem sido vontade do Senhor, das promessas que Ele nos fez e cumpre. Recentemente me deparei com um milagre. Podiamos ter seguido qualquer caminho, mas o Senhor nos levou pela trilha certa. Fico pensando nas inúmeras situações que poderiam nos desviar hoje do caminho da verdade, mas Deus foi honroso conosco, mais uma vez. Tenho tanto a agradecer. O amor incondicional, a fé renovada, a comunhão com o Senhor, a fidelidade viva, a certeza de que com Ele tudo sera possível. Estou aqui afirmando o amor que somente agora consegui descobrir dentro de mim. O amor pelo meu Deus, aquele que tudo pode, aquele que não desampara seus filhos amados, os que trilham pelo caminho da verdade. Não existe duvidas de que estamos vivendo sobre as promessas do Senhor. O que nos aconteceu não foi coincidência, mas providencia. Imaginar que poderíamos ter feito qualquer coisa hoje que nos levasse a um caminho diferente me faz acreditar que estamos sendo guiados pelo Senhor para encontrarmos e vivermos a verdade. Estou aqui para declarar o meu amor por Jesus Cristo. Faremos, minha família e eu, uma comunhão com Cristo, alicerçada no seu amor.
Meu Pai, não tenho nada a pedir-lhe. Somente a agradecer-te por tudo o que fazes por nos. Sei que não somos dignos da sua misericórdia e do seu amor, o amor ágape, que e incondicional. Vivemos aqui um momento de transformação pessoal de amor ao próximo, de amor a Cristo. EU CONFIO EM TI, MEU PAI! Confio nas mudanças que acontecerão em nossas vidas através da intercessão do seu amor. Confio que nossas filhas, tao amadas, tão desejadas, estarão logo conosco, pois tenho certeza que assim o Senhor quer. Quero que elas, quando estiverem maiores, leiam esse depoimento, essa declaração de amor, esse reconhecimento, e saibam que nada aconteceria se não fosse a TUA vontade, Pai. Elas serão meninas, depois mulheres, cristas, que viverão sob as suas leis, que serão educadas tendo como base os seus ensinamentos.
Perdoe-me Pai, por não saber orar devidamente. Aqui estou apenas abrindo o meu coração, confiando em Ti para que tenhamos primaveras de amor. Fala comigo, Senhor. Guia-me na trilha que o Senhor tracou para nos. Faca-me uma pessoa melhor, uma esposa que ora por seu marido, um presente dado pelo Senhor, tenho certeza. Uma pessoa preocupada em colaborar com os irmãos de fe, com pessoas menos afortunadas. Sei que meu corpo precisa ser desintoxicado do pecado em que sempre vivi. Hoje busco a felicidade com minha família na certeza de que irei aprender a viver sob suas bencaos, reconhecendo sempre todo o amor.
Abençoa Pai a todos que neste momento precisam do seu amparo e que eles possam reconhecer a sua misericórdia. AMEM.
19/08/2010
A visita tão esperada
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"Grandes coisas tem feito o Senhor por nós, por isso estamos alegres."
Salmos 126:3
15/08/2010
As promessas de Deus
Hoje fomos testemunhas das promessas do Senhor. Não tenho dúvida que Ele tem trabalhado para que nós sejamos, em breve, uma família feliz. Depois da tempestade que vivemos com a situação de uma pessoa se fazendo passar pela juíza do nosso caso, Deus colocou a verdadeira juíza no nosso caminho de uma forma tremenda e que só me traz as certeza que estamos vivendo neste momento sob as promessas do Senhor.
Hoje é aniversário do Elton (Parabéns amor!!!) e estávamos no shopping comprando algumas coisas entre elas morangos, quando uma senhora começa a nos ajudar. Gente, vocês não vão acreditar, mas era a juíza do nosso caso. Eu tinha visto uma foto dela, na época da farsa da Andreia, e fiquei com aquela vaga lembrança na memória. Quando vi a mulher, achei parecida, mas duvidava ser ela. Eis que movida pelo o Espírito Santo eu a abordo e pergunto se ela era a juíza. Quase caio pra trás quando ela disse que sim!!!!!!!! Conversamos por 40 minutos, vários assuntos, e claro que sobre a adoção também. Fiquei então de ir lá amanhã para com calma conversar com ela sobre o processo das meninas.
Saí do shopping e claro que tinha que agradecer, sendo que fomos à Igreja Canaã e fui tomada por uma sensação incrivelmente boa. Tenho certeza que Deus tem agido para a nossa felicidade. Hoje é dia de colocar o joelho no chão e agradecer a fidelidade do Senhor.
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"Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.
Então me invocareis, e ireis e orareis a mim, e eu vos ouvirei.
Buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração."
Jeremias 29:11-13
12/08/2010
Continuando a luta por nossas filhas
Hoje estivemos no setor jurídico da Vara da Infância e conversamos com uma excelente advogada chamada Francisca. Foi uma conversa muito tranquila e esclarecedora. Ela também falou com a assistente da equipe de manutenção de vínculos que informou que logo estará fazendo o parecer que depende a DPF. Estamos na fé que sim, ele será a favor da destituição. A advogada também não quis gerar esperanças, mas deu a entender que existem muitos pontos que favoreçam a destituição e saímos do Fórum um pouco menos anciosos.
Amanhã estarei encontrando com nossa advogada para entrarmos com o pedido de guarda (enfim!). Sinto em meu coração que Deus estará agindo para que nossas meninas venham o quanto antes para a sua casa. O quarto delas já está sendo arrumado, ainda falta muita coisa, mas logo estará com a "carinha" delas.
ANCIOSAAAAAAAAAAAAA!!!



05/08/2010
A maldade humana
Bem, Andreia é do Rio de Janeiro e adotou 3 crianças aqui em Fortaleza. Desde antes sua chegada, já nos comunicávamos quase que diariamente através de emails, skype e contatos telefônicos, fortalecendo assim uma relação de amizade que era apoiada no sonho da maternidade/paternidade através da adoção. Quando esta, junto com o seu esposo, veio a Fortaleza para concretizar sua adoção, nos sentimos como se nós tivéssemos ganho os nossos filhos, diante de tanta alegria. Via ali a felicidade estampada, uma família que nascia e estava muito feliz por participar desse momento. Assim acompanhamos Andreia e seu esposo desde a chegada na cidade, recepcionando-os no Aeroporto e inclusive registrando o encontro destes com suas crianças. Noutro momento voltamos a nos encontrar, ainda em Fortaleza, na Casa de Acolhimento onde estão nossas crianças, num jantar beneficente. Passamos a noite juntas, conversando sobre as crianças, sua adoção e as expectativas dessa nova família.
Quando todos voltaram ao Rio de Janeiro, continuei a manter contato com Andreia, quase que diariamente, e muito me alegrava quando me contava da excelente adaptação das crianças, da sua felicidade e realização no projeto de adoção e do apoio que sempre tínhamos no nosso caso, de espera pela destituição das meninas. Andreia sempre dizia que estávamos em suas orações e eu me sentia uma felizarda por ter uma "amiga" tão presente em minha vida. Assim, no dia 02 de Julho fui surpreendida por uma mensagem via skype de Andreia dizendo ter conseguido o contato da juíza responsável pelo processo das crianças e perguntando se podia disponibilizar meu email para a mesma. A notícia foi vibrada por mim, meu esposo e toda minha família, pois sabíamos que ali poderia ser a oportunidade de ao menos falar para essa magistrada da nossa real intenção e amor pelas crianças. Na mesma hora liguei pra Andreia, que contou-me que havia conversado com a tal juíza e que ela demonstrou ser muito favorável em nos ajudar no processo.
Num primeiro momento não vi nada de estranho. Você deseja tanto que a coisa aconteça, que enfim você poderá ter a oportunidade de estar com suas filhas em casa, que a grande verdade é: VOCÊ CEGA! Nós cegamos tanto diante da possibilidade de ter a juíza do caso trocando emails conosco que obviamente não enxergamos o óbvio - que estávamos sendo ali vítimas se não de um golpe, de uma maldade sem tamanho, tramada por um espírito ruim.
Durante exatos 30 dias (de 02/07 a 02/08) trocamos emails e mensagens instantâneas via skype com uma pessoa que se identifica como a juíza do caso. Logo recebemos a informação de que nossas pequenas estavam destituídas e isso foi comemorado intensamente. A tal "juíza" nos incentiva a montar o quarto das crianças, pois logo estaríamos com elas em casa. Assim o fizemos. O dinheiro que vínhamos guardando para a adoção, tratamos de comprar roupas, brinquedos, fraldas, ver escola e muito mais. Com o passar dos dias, comecei a estranhar o conteúdo dos emaisl. Primeiro devido a linguagem trazida neles, com inúmeros erros ortográficos e informações desencontradas. E eu comecei então a surtar, pois durante todo o período que trocamos essas mensagens, a "juíza" me pedia sigilo para não comprometer-lhe e eu não podia acreditar que verdadeiramente uma magistrada pudesse escrever daquela forma. Também estranhei que a mesma mudasse os prazos quase que diariamente da entrega das crianças pelo o abrigo. Todo dia acontecia algo que impedia formalizar a guarda e eu não entendi como não se conhecia esses prazos antecipadamente. Desconfiada, passei então a cobrar da "juíza" documentos que comprovassem sua história, ainda que de forma sutil. Não podia acreditar estar sendo alvo de uma "brincadeira" sem sentido, já que apenas Andreia sabia das informações e a considerava já uma amiga, que sofria junto conosco.
Eis que um dia recebo da "juiza", ainda via skype, um texto afirmando ser a cópia da DPF lançada no Diário Oficial. Quase caio pra trás quando me deparo com o seguinte texto: "1ª Vara da Infância, Juventude e Idoso", sendo que no Ceará não existe tal Vara. Sabia com muita convicção dessa informação pois já havia trabalhado longos anos de minha vida em parceria com a entidade e desconhecia qualquer junção com Vara do Idoso. Logo em seguida, conversando com Andreia e esta me falando do seu processo no Rio de Janeiro, recebo um link para que eu conheça o trabalho da Vara do RJ e observo que nesta cidade sim a Vara da Infância é ligada a do Idoso. Na mesma hora entendi que estava sendo alvo de uma situação no mínimo constrangedora e fui buscar informações mais concretas. Assim, liguei pra Andreia, falei das minhas desconfianças, e esta me garantiu por telefone que eu estava equivocada, pois a guarda de seus filhos, dada pela Vara de Fortaleza, falava em Idoso sim.
Desconfiada, liguei para o setor de Cadastro da Vara da Infância de Fortaleza, quando minha suspeita foi esclarecida: nunca houve vara do Idoso junto com Infância no Ceará. Solicitei a equipe, mesmo entendendo que que não podia ter acesso ao processo das crianças, que verificasse pra mim se havia sido feita alguma movimentação no processo nos últimos trinta dias, o que me foi dito que não. Nesse momento desabei, pois não era para mim possível que uma pessoa fosse tão má ao ponto de brincar com sentimentos, com o amor que estamos plantando e cuidando em nossos corações. De imediato fomos fazer uma denúncia no MP/Ce e decidimos que não há mais hora de esperar. Assim, fomos logo tratando de reunir os documentos necessários para, enfim, pedir a guarda das crianças, o que acontecerá na próxima segunda-feira, dia 09.
22/06/2010
Carta que escrevi para nossas filhas
Segue abaixo a carta que escrevi para ser adicionada a petição de pedido de guarda de nossas pequenas. Estamos na torcida... Algumas coisas estão nos posts abaixo, pois foram escritas no calor da emoção e tinham muito sentimento. Espero que quando, no futuro, elas lerem, entendam o quanto nós a amamos, desejamos e lutamos por elas. Filhas, vocês são muito especiais.
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"Meu nome é Danielle, tenho 31 anos, e sou casada há cinco anos com Elton, meu grande amigo, marido, companheiro, cúmplice... Em Janeiro deste ano (2010) decidimos que era hora de aumentarmos a família e optamos pela adoção como via de amor a ser trilhado. O desejo de sermos pais sempre foi acalentado. Em cinco anos de união, falávamos com muito prazer sobre esse assunto. Sabíamos que a maternidade/paternidade exigiria muito de nós, fossem nossos filhos biológicos ou adotivos. A bem verdade é que nunca sonhei com uma gravidez, nunca sonhei gerar um filho biológico, mas sempre me via como mãe de muitas crianças, com uma casa cheia de alegria, de sorrisos, alguns choros também, mas acima de tudo, com muito amor. Sempre tive vontade de ter filhos. Não necessariamente na experiência de gerá-los dentro de mim, e sim de ter pessoas sob os meus cuidados, que poderiam ser influenciadas por mim e de quem eu poderia cuidar. Esse era um projeto pessoal que se tornou um projeto de casal ao encontrar meu companheiro, um homem batalhador e que faz da relação de casamento uma relação doce, de cumplicidade, de amizade e companheirismo.
Há cinco anos, tempo da nossa união, vinha sempre tocando no assunto da adoção, do desejo de ser mãe através dessa forma de amor. Nesse tempo constituímos uma empresa especializada em fotografia infantil, o que nos possibilita a estabilidade financeira. Quando achamos que “já era hora”, no início deste ano, nos sentimos preparados para assumir o papel de termos filhos. Voltamos de uma viagem de férias seguros que esse era o nosso desejo e logo em Janeiro/10 fomos ao setor de cadastro da Vara da Infância/Fortaleza para nos informar sobre os procedimentos para uma adoção. Recebemos uma lista de documentos, preenchemos todos os formulários, juntamos tudo o que fora solicitado, e demos entrada em nosso pedido de habilitação para adoção. Foi um mês juntando papéis, declarações, atestados e tudo que comprovasse que temos uma relação estável e estamos aptos a adotar.
Não demorou muito tempo para que fizéssemos o curso e fossemos chamados para a entrevista com a equipe técnica (psicóloga e assistente social). Na oportunidade manifestamos interesse em grupo de irmãos com até três crianças, sendo preferencialmente meninas, independente de cor, e com até 5 anos. De início muitas pessoas acharam estranho nosso perfil, e logo fomos chamados de “corajosos”. Questionavam ainda se tínhamos noção de “quanto filho gasta”, de “quanto filho dá trabalho”, disso ou aquilo outro. Mas nosso raciocínio era bem simples, até. Se pretendemos ter de dois a três filhos, porque encararíamos o desgastante processo de adoção várias vezes, se podíamos adotar grupo de irmãos?
Nesse meio tempo soube que uma grande amiga estava adotando três crianças em Fortaleza. Ela foi o primeiro anjo que encontrei em nossa caminhada e muito me ajudou a entender os trâmites da adoção. Depois de um mês de conversa, minha amiga me orientou a fazer uma visita ao abrigo onde seus filhos estavam institucionalizados, nos informando que a entidade, na época, tinha visitas abertas e que poderíamos nos apresentar a direção para colaborar de alguma forma. Até então nossa intenção era apenas uma visita "rotineira", para conhecer o trabalho da entidade, sem nenhum intuito de adoção, pois achávamos que esse processo demoraria cerca de 1 ano. Além do mais eu havia trabalhado toda a minha vida em defesa dos direitos de crianças e adolescentes em ONGs e entidades públicas, então me sentia motivada a novamente poder ajudar crianças.
Após alguns dias conversando com a diretora do abrigo, marcamos uma visita para conhecer a entidade. Passamos a frequentar o local por cerca de 60 dias, nos fins de semana, onde brincávamos com todas as crianças, fazíamos contação de história, corríamos com elas... Enfim, uma farra!!! Contudo, com o tempo, passamos a conhecer melhor as crianças, nos afeiçoando a elas, e o coração bateu mais forte por um grupo de três irmãs. As crianças eram muito solícitas de atenção, de afeto, então sempre tínhamos as pequenas nos colos, me revezando com meu marido. A nossa vontade era embalar aquelas pequenas e trazer para o conforto do nosso lar, para que fossem amadas por toda nossa família. O sorriso delas, o abraço apertado, a alegria espontânea... Mas sabia que existiam trâmites a serem seguidos e não tinha a menor noção se aquelas crianças estavam disponíveis pra adoção. Com muito cuidado, conversamos com a então coordenadora da Casa, para ter maiores detalhes do caso. De imediato ela nos disse que não poderia nos fornecer qualquer informação sobre as crianças. Após muita insistência, ficamos sabendo que existia um processo de destituição em andamento, mas que não havia nada de concreto. Ficamos com aquela frase na mente e no coração, e continuamos a realizar as visitas semanais.
A hora de ir embora já nos pareceu dolorosa no primeiro encontro. Mas também tinha esse misto de felicidade por estar as pequenas. Estávamos radiantes, uma alegria tremenda. Ainda no primeiro dia soubemos que esse grupo de irmãs (Larissa, Laiane e Laura) não tinham padrinhos e logo nos oferecemos para o programa de apadrinhamento. Sentíamo-nos muito felizes em ajudar de alguma forma as crianças, seja com um abraço apertado, um beijo caloroso, brinquedos, pacotes de fralda, remédios ou leite de soja (já que a menor delas, a Laura, é intolerante à lactose). A questão da intolerância a lactose de Laura é um problema que nos preocupa muito, pois a mesma vive com diarreia e o ouvindo supurando. Necessita de controle alimentar e cuidados médicos urgentes.
Em todo esse tempo que as visitamos, nosso amor só se intensificava. Já sonhávamos com as adaptações necessárias na nossa casa para recebê-las, bem como tratamos logo de comprar um carro, visando as saídas necessárias com as crianças. Montamos um guarda-roupa com lindos vestidos e “pitós” que elas tanto amam, as bonecas prediletas, os filmes que mais gostam, CD com as músicas que brincam e dançam. Um momento muito bacana pra gente foi a Páscoa. Lembrando que Laura é intolerante à lactose, rodamos toda a Fortaleza procurando ovos de páscoa à base de soja. Apenas no último dia encontramos. Foi uma alegria infinita a dela de, pela primeira vez, saborear chocolate.
Sei que nós amamos essas crianças. Não apenas meu marido e eu, mas elas já são muito queridas e esperadas por toda nossa família e amigos. Os tios já “disputam” quem vai ser padrinho de quem... Há um desejo enorme, latente, de querer estar com elas, amando-as, acompanhando o crescimento, apoiando-as. Elas transformaram nossas vidas para muito melhor. Hoje nos permitimos sonhar, planejar de forma mais intensa graças a elas, ao amor por elas. Assim, temos muito interesse na adoção não de uma ou duas dessas crianças, mas nas três. Nunca passou pela nossa cabeça uma separação. Amamos e desejamos como filhas as três!!!
Este momento que vivemos é de extrema saudade. Fazem quase dois meses que perdemos contato com as crianças, dada a orientação da nova direção do abrigo onde estão institucionalizadas. Nesse meio tempo, não foram raras as vezes que foram apresentadas infinitas possibilidades de adoção de apenas uma criança. Seja em abrigos de outras comarcas, seja através de amigos que sabem do nosso desejo de adotar. Contudo, nosso coração sabe e sente que já temos nossas filhas. Elas são três meninas lindas. A Larissa é uma boneca que quando sorrir, os olhinhos apertam. Parece uma japonesinha. Adora fazer “cocós” nos cabelos de quem quer que seja (inclusive o dela), é bastante vaidosa, muito organizada com suas coisas. A Laiane, que está com três anos, é muito falante. É bem apegada ao Elton e a mim, disputa o colo com outros coleguinhas da Casa, inclusive com as irmãs. É muito carinhosa, adora beijar. É inteligente demais e já está na fase do “por que”? A Laura, a menor delas, é quem talvez requisite de maiores cuidados neste momento. É intolerante a lactose, por isso vive com diarreia. Apesar da idade, mal fala (acredito que seja pela falta de estímulo na convivência de abrigamento, que não há uma atenção individualizada, mas uma consulta a um profissional especializado poderá ser importante num primeiro momento). É também muito inteligente e das três, é quem tenha, talvez, a personalidade mais forte.
Conhecemos o cheirinho de cada uma delas, o significado do olhar quando estão com fome, quando querem carinho. Conhecemos e amamos os abraços apertados, os beijos melados. Infelizmente também conhecemos os corpos mal tratados, cheio de marcas de uma violência/negligencia sofrida. Essas meninas não foram geradas de mim, mas geradas pra mim. Ser mãe e ser pai é muito mais do que querer estar com os filhos. É como querer, como cuidar. Não estamos adotando por caridade ou pena, importante esclarecer isso. Elas não precisam da nossa pena. Laura, Laiane e Larissa precisam de um pai e de uma mãe que as amem, as desejem como filhas, sonhem com elas, cuidem delas, que façam planos de vida para atender um amor que só cresce. Somos um casal/família sem qualquer histórico desfavorável a nossa conduta. Não temos vícios, não usamos nem bebida, nem cigarro, nem qualquer outro tipo de droga, temos estabilidade financeira para prover essa família que tanto desejamos formar, residimos em um ambiente familiar e acolhedor e, principalmente, contamos com o apoio de toda nossa família para a adoção. Temos muito amor por Larissa, Laiane e Laura, cujo história de vida, ainda que tão curta, já foi marcada tão fortemente por seus pais biológicos. E temos todo o desejo, o mais intenso dos nossos desejos, de com elas completar nossa família para, enfim, nos sentimos inteiros."
15/06/2010
O andamento da situação
Assim, decidimos e fomos conversar com a promotora que deu entrada no pedido de DPF (destituição do poder familiar). Fomos muito bem recebidos pela equipe e por ela, que nos informou sobre alguns pontos do processo, entre eles que: o processo não se encontra na Vara dela, mas numa outra; que a família biológica constituiu um advogado, pois é contrária a destituição; que os pais não tem a menor condição de cuidar das crianças e que, para completar, a mãe biológica já está grávida novamente. Recomendou ainda termos paciência e não pedirmos a guarda provisória para fins de adoção. Disse que a mãe biológica estava com advogado particular (não me perguntem como!!!!) e que o mesmo poderia reverter nosso pedido em favorecimento da mãe biológica (não me perguntem como!!!!).
Ficamos realmente frustrados com as informações dadas, pois esperava sair do Fórum já com a lista de documentos para efetivar o pedido da guarda. Mas não desesperançosos. Foi assim que apenas duas semanas após essa visita saí ligando pra tudo que é técnico do Juizado da Infância, me fazendo ser conhecida, verbalizando nosso interesse nas crianças. E mesmo com todos dizendo que tínhamos que esperar, que só podíamos esperar... fiz algumas descobertas, entre elas que faltava apenas um relatório da equipe de manutenção de vínculos para concluir alguma coisa lá no processo delas, descobri o número do processo delas também, em qual Vara se encontrava...
Logo na mesma semana marquei com duas EXCELENTES advogadas e expus tudo a elas, inclusive o meu desejo de pedir a guarda das três meninas. Fiquei enfim, depois de muito tempo, animada, pois diante do que expus, elas disseram que temos 99% de chaces. É um perfil de difícil colocação, a DPF já tá em fase de conclusão, já somos habilitados para grupo de irmãos, os pais são proibidos judicialmente de vê-las, elas já tem 15 meses de abrigamento... Enfim, estou confiante que logo estaremos com nossas filhas em casa...
Pra finalizar, lembrei da frase: "Não sabendo que era impossivel, foi lá e fez!"
14/06/2010
Um dia bom, um sonho ruim
...
Tudo começava comigo, Elton e duas das nossas filhas em um ônibus indo para a defensoria pública. Parecíamos que estávamos indo, enfim, resolver a situação da adoção das meninas. Parecia, também, ter passado muito tempo. As meninas aparentavam ter crescido muito. Em um determinado momento eu conhecia duas mulheres que estavam indo também para o Fórum. Conversávamos bastante e logo percebi umas das mulheres, uma morena com cabelo curto e tintura amarelada, agitava-se bastante. Era muito magra e aparentava ter sido moradora de rua. Talvez usuária de alguma droga.
De repente, sem muita conexão, começa uma confusão no ônibus e percebo que a mulher é a mãe biológica das meninas. Ela esperneava, gritava aos quatro cantos que nós havíamos roubado as crianças dela. Lembro-me nitidamente do meu sufoco e aflição com a situação e que saíamos correndo com as meninas e ela logo atrás.Num determinado momento do sonho, vejo pela primeira vez a Larissa. Aparentava ter uns 8 anos (hoje ela tem 4) e tinha um cabelo enorme, bem abaixo da cintura. Eu chamava por ela, para que ela voltasse, e ela de repente se vira pra mim e grita: "é culpa sua eu ter ficado tanto tempo no abrigo." Na sequencia dirijo-me com as meninas para uma loja de brinquedos, tentando acalmá-las, e principalmente, me acalmar. E percebo que Larissa tinha sumido. Grito desesperadamente por toda a loja, percorro todas as seções, mas ela simplesmente havia desaparecido.
Nesse momento, com a Laura no colo, corro em direção ao Elton para que ele segure Laura enquanto procuro pela Larissa. Ao entregar nossa filha a ele, percebo que não é ela quem está em meu colo, mas outra criança desconhecida, uma menina, e recém-nascida. Sigo descendo a rua e, enfim, percebo que havia perdido minhas filhas para essa mulher.'
Enfim acordo sobressaltada. A única reação que eu conseguia ter era de respirar fundo, orar e pedir a Deus proteção em nossas vidas. O sonho me deixou muito confusa, pois hoje foi o dia que marcamos de conversar com nossas advogadas sobre o caso do pedido de guarda. Fiquei na dúvida sobre e sem saber quais são os planos de Deus em nossa vida, mas na certeza de que Ele sabe o que é melhor...
"Obedecer a Deus é sempre o melhor, pois Ele é fiel e cumpre o que diz"...